21-06-2013, 06:56 PM
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 21-06-2013, 06:57 PM por Crocodilão.)
Lendo sobre o "olhar 43", lembrei-me de um texto antigo do falecido-amado-odiado JRP(BK) escreveu sobre as mulheres, vejam se não concordam.
Citar:Estive prestando bastante atenção às mulheres que estão ao meu redor.
A maioria delas com certeza não está bem.
Ora, que novidade...? Todos nós não estamos bem. Descobri a pólvora!
Não é bem isso.
Percebi uma certa amargura no fundo dos olhos das mulheres que por aí estão.
É uma coisinha gosmenta, uma espécie de núvem sujinha, que fica lá dentro da mulher e os olhos, espelhos da alma, refletem o dito cujo de maneira bem discreta, quase invisível.
Mas está lá. Presente, firme e forte.
É a mágoa.
Essa mágoa da mulher tem múltiplas cores, múltiplas formas e trocentos motivos. Coisas que vão desde a frustração de não ter podido ser, estar ou parecer... A coisas que vão além da minha parca compreensão masculina.
Matuteiro (aquele que matuta, que pensa) que sou, durante bastante tempo fiquei prestando atenção nessas sombrazinhas dos olhos das mulheres, querendo eu mesmo achar um denominador comum, algo que unisse todas as mulheres. Afinal, pra mim, o sofrimento tem muitas faces, mas sempre tem uma única origem.
E isso vale tanto para o homem quanto para a mulher.
Achei a causa do sofrimento da mulher: ela sabe que está mentindo a si mesma.
A mulher é uma criatura bastante voltada ao sentimento, pois boa parte de sua lógica ficou com o homem. Daí, à mulher é dada a retumbantes acessos sentimentalóides, grandes arrobos do "coração".
ou seja: a mulher despiroca na emoção, o homem despiroca na porra mesmo.
Ao mesmo tempo, a mulher é criada desde pequeninha para ser uma amálgama de todas as mulheres que vieram antes (especialmente da mãe dela).
Desesperada por seu auto-conhecimento, mais fatores comportamentais, genéticos, sociais e o caralho, a mulher pode até concorrer e condenar a própria mãe, seu exemplo "mental" em tudo, e chegar a dizer que é "eu mesma".
Mas não.
Nenhuma mulher que conheço é ela mesma.
Daí fica aquela sombrinha no fundo dos olhos.
Junte a isso o desespero de saber disso, mas sufocar tal conhecimento, e você terá uma mulher que é gostosa, linda, feínha, comum, branca, preta, magra, alta, gorda, pobre ou rica...
Mas que não é ela mesma, pois lhe foi negada a chance de ser alguma coisa além do que a mãe ou o pai queriam.
Junte nesse pacote a canalhice masculina, que vê a mulher como depósito de esperma e lá vem a coitada se submeter aos desejos do homem: silicones, roupas, cosméticos, frivolidade, mentiras, demência.
A verdade é uma só: toda mulher que se rebaixa aos desejos dos homens e modifica a si mesma para agradar aos machos de plantão, detesta a si mesma mais que tudo na vida.
Daí a sombrinha reprimida nos olhos.

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