07-07-2018, 12:32 AM
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 07-07-2018, 12:39 AM por Remy LeBeau.)
(06-07-2018, 10:39 PM)Villefort Escreveu: Será que minha ex ao falar isso para mim “Quem não dá assistência abre concorrência” chegou a me trair ou estava com essa intenção pelo simples fato de eu não estar o tempo (um dia ou dois, longe dela) com ela? ou será que é mais um joguinho?
O álcool afetou a minha memória de tal maneira, que eu realmente não consigo explicar como o meu raciocínio é capaz de confundir os confrades "John Romano" e o "Free Bird". É verdade, eu poderia pesquisar a postagem original, mas estou com preguiça. Pois bem, um dos confrades (creio que o John Romano) cunhou uma frase impactante: "Ninguém está imune a um chifre nas próximas 24h".
É isso.
Em relação à frase que ela teria dito, há várias possibilidades: a) já te passou para trás; b) está cogitando te passar para trás; c) está em vias de te passar para trás; d) apenas te ameaçou passar para trás, e e) está preparando para te passar para trás e irá te culpar por isso.
Acerca de um chifre, não há o que possa ser feito. Por isso não adianta você se descabelar, entrar em desespero e tentar fiscalizá-la. Só irá se desgastar e se aborrecer com tal tipo de atitude.
Mas vamos analisar a frase dita: "Quem não dá assistência abre concorrência".
Traduzindo em miúdos, se trata de uma ameaça de traição (abrindo concorrência), decorrente de uma atitude imposta ao traído (não está dando assistência). O que isso significa? Significa que o infiel culpa o fiel pela sua própria traição. Vou repetir: o adúltero (aquele que praticou a traição), confessa a conduta, atribuindo a responsabilidade ao traído (vítima). A vítima está sendo culpada, sob argumento de que ela criou a oportunidade do adúltero traí-la.
Em outros termos, há uma inequívoca tentativa de transferir a responsabilidade (decorrente da traição) para a parte mais fraca (aquela que foi traída).
"Por que?"
Porque o adúltero não quer carregar a culpa ou a responsabilidade da traição. Logo, ele se aproveita do lado mais fraco da relação, e joga para este as responsabilidades e os reflexos, saindo, portanto, como a vítima da relação, mesmo sendo claro e cristalino que o adúltero é o algoz e responsável direta pelo término da relação. Convenhamos, quem traiu foi o adúltero, e não o traído. E traição, como sabemos, implica no término imediato do relacionamento, já que é uma conduta muito grave.
Na época do Orkut havia uma fábula que explicava muito bem esse tipo de situação, a fábula do cavaleiro, da princesa e do dragão. Muito provavelmente o confrade já deve ter se deparado com ela.
O relacionamento se traduz na masmorra em que a princesa está presa. Afinal, o relacionamento implica no dever de fidelidade, e isso é muito oneroso para algumas. Portanto, ela está "presa" na masmorra.
O dragão que acompanha a princesa é o companheiro. Ela não gosta dele, mas tolera a sua companhia dentro da masmorra. O fato da utilização da figura do dragão, traduz, justamente, a repulsa que ela sente e a impressão que ela possui de seu companheiro, mas que dada à existência do relacionamento, ela ainda se mantém com o dragão na masmorra, mesmo sabendo que pode sair, mas não o quer, já que há alguns benefícios dentro da masmorra (mesmo sendo uma masmorra!).
O cavaleiro (com a missão de derrotar o dragão) é o aventureiro, o amante. Alguém misterioso e de fora, que a vê dentro de uma masmorra, atormentada por um dragão e que assumiu o compromisso de libertá-la. Como ele irá libertá-la? Matando o dragão. Como ele mata o dragão? Copulando com a princesa. Afinal, o fato de que outro indivíduo copulou com a princesa, mesmo na presença do dragão e na masmorra, significa que tal figura é fraca e fora superada, tanto pela princesa, que buscou o cavaleiro, como pelo cavaleiro que copulou com a princesa.
Nesse caso, como a infidelidade ainda é um tema revestido de um certo tabu, e há um consenso social de ficar do lado da parte vulnerável e da vítima (tal como a figura do underdog), em tese, todos ficariam do lado do traído, certo? Não! Afinal, ele é um dragão que oprime a pobre princesa. Por isso, como ela pretende sacaneá-lo, e precisa sair como vítima, ela, mesmo praticando a conduta desonrosa, transforma a real vítima, o traiído, no algoz e sai como vítima. Afinal, o dragão "não deu assistência" e "abriu a concorrência".
Não existe culpa de terceiro pela traição, isso é uma aberração criada por uma inversão de valores. O culpado é sempre aquele que não resistiu a tentação e não honrou o laço de fidelidade, seja homem ou mulher. Ponto. Todavia, como é um encargo muito forte sair como "vilão", alguns optam por jogar tal figura exatamente sobre a vítima, e culpá-la. E aqui, alguns são tão fracos, mas tão fracos, que mesmo quando estão certos, se permitem serem atacados e acabam saindo como vilão.
Pessoas maduras e íntegras não jogam. Quando o relacionamento fracassou e naufragou, ou seja, não há mais como mantê-lo, que não as aparências, comunicam o término (seja por fatores pessoais, ou, como no caso, atração sexual por outra pessoa), e seguem em frente. Melhor do que agir na surdina. Melhor do que dissimular. Melhor do que se acorrentar a um cadáver.
No meu entendimento pessoal: é situação para término. É uma conduta muito grave, afrontosa e extremamente desrespeitosa. Tão desrespeitosa que ela é incapaz de agir na surdina, mas opta por te ameaçar expressamente.
Relacionamentos não são eternos, mas devem ser eternos enquanto duram. Se ela se dispõe a comunicar que pretende traí-lo e, em sequência, culpá-lo, apenas termine e siga em frente, afinal, ela não possui sequer o mínimo respeito por ti. Diga que ela tem razão, que você não dará qualquer tipo de assistência para quem não é digna, e que ela poderá abrir a concorrência, e que você não participará deste certame, pois ele não é digno de ti.
Sobre se tal comentário se trata de um jogo, creio que não. Acho que se trata de uma ameaça direta. Ela trucou. Confiante de que você irá se borrar todo, com medo de ser traído ou até mesmo de perdê-la. Arrisco dizer que ela acha que você seria capaz até mesmo de perdoá-la, em caso da confirmação de uma traição. Portanto, a depender da sua situação, ela seguirá em frente, isto se já não preparou terreno para culpá-lo (já traiu e dirá que é sua responsabilidade).
Logo, o término se mostra como a solução mais adequada, negando assumir a culpa por uma traição praticada por ela, e devolvendo a responsabilidade e o ônus de tal conduta para ela.
Tem a faca e o queijo na mão para sair dessa situação criada por ela, e devolver as consequências e responsabilidades de um problema criado exclusivamente por ela.
Abraços.


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