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Fórum do Búfalo Mulheres/Feminazismo/Relacionamentos Geralzão da Real Poesias Realistas
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Poesias Realistas
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#13
06-06-2015, 10:32 AM (Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 06-06-2015, 10:34 AM por Nerd.)
Lembras-te de quando eu te dizia que a Vida era má, tu responderes que ainda havia o Amor?

Convicto ainda sonhavas a vida grande, auroreal, sadia, junto de uma mulher que fosse o corpo do teu corpo, a alma da tua alma e para quem tu fosses sempre o insaciável dos seus encantos, das suas frases, dos seus beijos.
Ela, a Eleita, te daria então um encanto novo para cada desengano, para cada desânimo te daria coragem na Bíblia nervosa e quente dos seus braços, no anseio louco e perfumado do seu corpo.

Seria a Santa do teu altar, a luz que iluminaria a tua vida inteira.
Tu contar-lhe-ias os teus cansaços e ela te daria o seu colo para descansares. E tu serias bom, altivo e amante. Serias forte para a defender, criança para adorares.
Terias a cada frase dos seus lábios o coração em festa.
Os teus beijos seriam abençoados, e ela, a Santa, seria bendita entre as mulheres.
Quando tu tivesses sede ela te diria abrindo as veias: Bebe . Quando tu tivesses
fome ela uniria à tua a sua boca e te alimentaria com o seu hálito caricioso e quente.

Viveria só para ti sem egoísmos nem vaidades.
E seus filhos seriam belos como mulheres e fortes como Deuses.
Isto é impossível. Onde encontraste tu uma mulher que amasse alguém? Inútil. Procurarias em vão. Uma mulher é um objeto que se usa e se põe de parte ao fim de uma hora, de um dia, de uma semana, de uma quinzena, de um ano quando muito.
A fidelidade aborrece. Mas há acaso alguma mulher fiel?

Em que pensam elas? No interesse. Todas se vendem. Umas compram-se por amor,
como outras se compram por dinheiro. Varia muito o preço por que uma mulher se entrega: uma moeda de prata ou um colar de pérolas, uma nota de banco ou um adereço, uma ceia, um reino, um capricho, um cigarro. Eu já tenho comprado mulheres por um cigarro.
E o que é o amor? Uma triaga deliciosa, não é verdade? A mais podre das ilusões.

A mulher é sempre uma criatura vaidosa e interesseira, balofa e irritante, como os homens são e serão sempre cínicos, canalhas e traidores.
É a maior das egoístas do gênero humano. Seus lábios são uma ânfora maldita que
tem no fundo a mentira. Eles derramam o crime, a covardia, a perfídia.
Seus ventres são sementeiras de dores.
Mas porque gosto eu tanto delas?

Toda a vida me acorrentaram à cadeia de beijos dos seus braços. Assassinaram-me a energia. Tornaram-me à força de desgostos e de irritações, eu que era uma criatura de pequeninas carícias, de mil afetos pequeninos, de pequenas coisas amorosas, embotado e seco como as plantas que morrem à míngua de água. Amei rude e loucamente, com fé, com ardor.
Fui desamado sempre, escarnecido, pisado.

Quando eu amava, rouco de dizer o meu amor, não encontrava um único coração
que se me abrisse. E então, conheci más todas as mulheres.
Mas como hão de elas amar-me se eu lhes não posso dar ouro? Que tenho eu para
lhes dar? O coração? E para que serve o coração? Acaso isso já serviu a alguém?
Não encontrei nunca uma mulher que não roçasse a espinha pela minha bolsa, como
os gatos quando ronronam aos pés do dono.
E todo aquele meu passado amor, toda essa afeição foi como um charuto caro que
alguém esqueceu aceso. Hoje não amo nem creio, como Schopenhauer.

Não é porém despeito tudo isto. Eu continuo a cair nos braços das minhas amantes,
mas julgando-as o pior possível.
Quem ama morre. Chi no stima vien stimato , diz o provérbio italiano. Por isso
despreza os homens como desprezas as mulheres. Ai se acreditas! A mentira no amor é tudo.
Quanta mentira não há num beijo? Quanto veneno? Quanta traição? Um beijo envenena sempre. Alguns há que envenenam a vida inteira.

A mulher leva ao degredo, ao crime, à morte, à desonra.
Há homens que se matam por elas, que se arruinam, que enlouquecem. Dalila atraiçoou Sansão, Margarida perdeu o velho Fausto.
Foi ela que inventou o ciúme para nos roer, os braços para nos prender, o dinheiro
para se vender.
Escuta! Se queres ser amado por tua mulher dá-lhe com um chicote. As mulheres
precisam de ser espancadas para amarem alguém.
Há nisto um fundo de verdade. A pancada é sempre mais sincera do que o beijo.

Mas para que amar? Para que bater? Todo o amor acabará na morte.
O amor é dos romances. Lá é que viveram Romeu e Julieta, o apaixonado Rafael,
Paulo e Virgínia. Trasladar o romance para a vida é uma loucura inconcebível.
Enquanto o pobre D. Quixote quebrava lanças e corria mundo pela sua Dulcinéia,
esta aquecia a cama todas as noites a algum cavaleiro menos andante e mais positivo.

Uma mulher ama por egoísmo, e só gostará de enquanto tu fores para ela o máximo
ponto onde ela pode pousar os olhos.
Se acaso a minha amante, essa criatura que tem para cada minha pancada uma carícia, encontrasse outro que fosse maior do que eu na sua retina psicológica, eu seria preterido sem dó nem piedade.
Todas as mulheres são sensuais e perversas. Toda a mulher se esquece.
Se tu desses a vida por uma mulher ela segredaria às amigas que tu nunca passaste
de um tolo que morreu por ela.

E o teu nome andaria em triunfo nos seus lábios, como o couro cabeludo de um inimigo na mão de um pele vermelha. Dias depois tu serias esquecido e já outros braços teriam imprimido no seu corpo o vergão dos abraços. Quer ela fosse atriz ou freira, ladra ou imperatriz.
Uma mulher é capaz de tudo. Não esqueças nunca. Algumas vezes, o grande manto
do heroísmo não serve senão para esconder uma meia dúzia de amantes.

Assim como na vida não há senão interesses, no amor não há senão desejos.
É o Desejo que irmana a concubina da mulher honesta, o pobre do rico, o bom do
mau. Acaso a alcova de uma honesta não tem visto bastantes prostituições? Há rameiras que são mais sóbrias e mais recatadas ao entregar-se do que a mais honesta das mulheres.

Cada criatura tem latente em si uma Sodoma.
Todos nós somos iguais. Filhos da Luxúria, escravos do Gozo, servos do Interesse.
Iguais no nascimento e iguais na morte.
Um fidalgo nasceu tão desastradamente como um moço de restaurant. Ninguém diferenciará na morte um cardeal do seu fâmulo, um cabeleireiro de um palhaço, uma florista de uma arquiduquesa. Não somos acaso todos irmãos, ó meu irmão canalha?

Da mulher do salão à mulher do esgoto há uma só diferença: a cama. A da primeira
terá uma coroa bordada no travesseiro. A da segunda será a cama de uma hospedaria onde todos passaram, dormiram, que de todos foi usada. A primeira terá meias de Escócia, mitenes de Suède, perfumes de Circássia. A segunda nem às vezes terá meias, terá as mãos calejadas e grosseiras e cheirará a arrotos e suores. O amor da primeira é uma coisa leve como um Watteau, delicado como uma porcelana cara, magnífico como uma renda antiga.

O amor da segunda é uma mancha, brutal como um soco ou um borrão.
Não é verdade que uma rameira se entrega a um ladrão e uma açafata a um príncipe?
Mas há marquesas que prostituem os cocheiros, condessas que levam murros do criado, servilhetas que são as baronesas dos barões.
Pensa bem. Não há crime nenhum que não tenha saído de um ventre de mulher, nem que uma cova não contenha.
Uma mulher? Mas o que é uma mulher? A mulher é o gozo. Tira-lhe a formosura e
o que te fica? Nada.

Mulheres honradas? Nem tua mãe!
Tu sabes quantos adultérios praticou tua mãe para com teu pai! Nenhum. O que
nunca, nunca tu me poderás dizer é quantos ela pensaria em praticar.
Para seres feliz no Amor precisas de ser como na Vida: egoísta, seco e mau. Se não
fores infame serás imbecil. Se fores romântico, sonhador e amoroso, elas inventarão para crucificar a tua paixão mil laços traiçoeiros, mil enganos, mil atrocidades.

Se estimares tua mulher serás atraiçoado por ela, como se estimares tua mãe ela te
difamará. Sê orgulhoso? Uma mulher? Há tantas mulheres por esse mundo! Um amor? Tantos amores virão substituir este.
As mulheres ou se castigam ou se desprezam. E se desprezares a tua amante, ela inventará carícias mil para te apaixonar, te agradar, te satisfazer. A sua boca ardente carregada de beijos como uma árvore carregadinha de flor, tatuará no teu corpo uma legenda extraordinária de dedicações e de carícias. Sê pois canalha com as mulheres, que elas gostam dos infinitamente canalhas.

Eis o dilema: beijava os pés a minha mulher e ela atraiçoava-me, bato-lhe e ela adora-me.
No Amor, como na Vida, de quem é o triunfo? Dos fortes, dos que mentem, dos que
batem, dos que falseiam.
Se queres ser feliz sê, como eu, brutal na posse, canibal na ambição, sem uma aresta de apego a uma alma, pisando sempre, avançando sempre, crânio de sílex na energia, coração de sílex nas dedicações e nas torpezas.

O Amor faz tantos crimes como a guerra. Foi por amor que a minha vizinha fronteira
despedaçou do quarto andar o corpo na calçada. Que este homem se deitou nos rails à passagem do comboio. Que aquela costureira tomou fósforos e está no hospital. Que estoutra
se meteu a freira. Que esta afivelou à rival uma máscara de vitríolo que o tempo não
apagará.

Foi por amor que este homem roubou a casa onde estava empregado e se matou
quando lhe bateu à porta a polícia; que este outro, que tu não conheces, vem ter comigo pedindo-me dinheiro para mandar um ramo à sua atriz, que o despreza, oferecendo-se-me em troca para matar um homem se preciso for; que este mancebo que passava todos os dias a minha rua, pensativo e tristonho, apareceu um belo dia enforcado no seu quarto; que aquele delirou de amor e acabou morto de frio numa rua. Que este homem se arruinou ao jogo para dar à amante; que este matou e foi degredado; que este roubou, entisicou, está na cadeia ou no hospital.
Isto ainda não é tudo.

Há tragédias misteriosas, mortes ignoradas, casos frustes, que, se forem-se desvendar, aterrorizariam um comissário de polícia.
A mulher é o crime. É mentirosa, é cínica. Mente por vaidade, crucifica por prazer.
São os seus encantos, a carne palpitante, os cabelos, os beijos, os gozos que amolecem a energia, a espinha, a cabeça, o orgulho e o dinheiro. É aquela chaga original, a vergonhosa ferida sempre aberta que sangra e que cheira mal...

Há homens orgulhosos que pedem de joelhos perdão às mulheres. Mulheres orgulhosas que sofrem em silêncio as pancadas dos maridos, dos irmãos, dos amantes.
E como o amor tudo transfigura, das rameiras faz santas, dos feios faz belos e arma
em fortes os fracos; livra-te pois do Amor para que não sejas desgraçado.
Lembra-te sempre de que ele é a pior e a mais enganosa das realidades, a mais disfarçada das ciladas.
Ai de ti se nele acreditares! Quem ama morre, quem ama avilta-se tão baixo que a
própria lama tem ainda que descer muito para lá chegar.
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