20-05-2015, 01:21 AM
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 22-05-2015, 01:07 AM por Jaguar Paw.)
Sem ele, não teríamos tido Karl Marx e nem, portanto, o que é conhecido vulgar e confusamente como "marxismo cultural" (este, na verdade, pode muito bem definido como "neo hegelianismo").
Qual é a maior contribuição deste homem - para quem Cristo não era Deus encarnado, mas um homem que havia ascendido à divindade (1) - e cuja obra já foi descrita como um pântano de palavras com ilhas de significado?
Para Hegel, o presente não existe, somente o futuro, e este só pode ser alcançado por meio do trabalho do negativo na velha dialética tese versus antítese = síntese, porém com a antítese como o elemento principal da equação. Assim sendo, a negatividade passa a ser, na ótica de Hegel, a força motriz da História.
Com a palavra, o próprio:
"O verdadeiro e o falso pertencem aos pensamentos determinados que,
carentes de movimento, valem como essências próprias, as quais, sem ter nada em comum, permanecem isoladas, uma em cima, outra embaixo. Contra tal posição deve-se afirmar que a verdade não é uma moeda cunhada, pronta para ser entregue e embolsada sem mais. Nem há um falso, como tampouco há um mal. O mal e o falso, na certa, não são malignos tanto como o Demônio, pois deles se fazem sujeitos particulares (como aliás também do Demônio). Como mal e falso, são apenas universais; não o bstante têm sua própria essencialidade, um em contraste com o outro." (2)
Resumindo: para Hegel, é possível ser falso e mau sem, necessariamente, realizar uma obra demoníaca, é possível usar o Diabo (aqui entendido como o que há de pior na natureza e nas obras humanas) para realizar o Bem.
Hegel também previu e descreveu o real estado de espírito daqueles que se dedicam ao trabalho da negatividade:
"É certo que o aspecto da vontade, aqui definido esta possibilidade de me abstrair de toda a determinação em que me encontro ou em que estou situado, esta fuga diante de todo o conteúdo como diante de toda a restrição - é aquele em que a vontade se determina. É isso o que a representação põe para si como liberdade e não passa, portanto, de liberdade negativa ou liberdade do intelecto.
É a liberdade do vazio. Pode ela manifestar-se como uma figura real, e torna-se uma paixão. Caso se mantenha, então, simplesmente teórica, temos o fanatismo da pura contemplação hindu; caso se volte para a ação, teremos, tanto em política como em religião, o fanatismo de destruição de toda a ordem social existente, a excomunhão de todo indivíduo suspeito de querer uma ordem, o aniquilamento de tudo o que se apresente como organização. Só na destruição esta vontade negativa encontra o sentimento da sua existência. Pensa que quer um estado positivo, o estado, por exemplo, da igualdade universal ou da vida religiosa universal, mas não pode querer efetivamente a realidade positiva pois esta sempre introduz uma ordem qualquer, uma determinação singular das instituições e dos indivíduos, e é, precisamente, negando esta especificação e determinação objetiva que a liberdade negativa se torna consciente de si. O que julga querer talvez não seja mais do que uma representação abstrata, a realização do que julga querer talvez não seja mais do que uma fúria destruidora." (3)
Estes são apenas alguns exemplos do pensamento deste que pode ser considerado o filósofo mais influente dos últimos duzentos anos.
Para concluir, deixo uma opinião do grande Schopenhauer sobre Hegel:
"Enquanto outros sofistas, charlatões e obscurantistas falsificaram e arruinaram apenas o conhecimento, Hegel destruiu até mesmo o órgão do conhecimento, a própria inteligência. Obrigou os induzidos a enfiar nas próprias cabeças, como se se tratasse de um conhecimento racional, uma confusão formada pelos absurdos mais grotescos, um tecido de contradictionibus in adjeto, uma verborragia de hospício, e o cérebro desses pobres jovens, que liam tudo isso com uma dedicação crédula e tentavam alcançar a sabedoria suprema, foi desordenado de tal maneira, que permaneceu para sempre incapaz de pensar. Por conseguinte, até hoje é possível vê-los perambular, discorrer no repugnante jargão hegeliano, exaltar o mestre e presumir que frases como 'A natureza é a idéia em seu outro' queiram dizer alguma coisa. Com efeito, desorganizar a esse ponto cérebros jovens e frescos é realmente um pecado que não merece perdão nem
indulgência." (4)
(1) https://mises.ca/posts/articles/hegel-and-the-man-god/
http://en.wikipedia.org/wiki/Life_of_Jesus_%28Hegel%29
(2) Prefácio de “Fenomenologia do Espírito”
(3) Prefácio de "Princípios da Filosofia do Direito"
(4) http://abdet.com.br/site/wp-content/uplo...sultar.pdf
http://www.libertarianismo.org/index.php...estatismo/
https://mises.ca/posts/tag/hegel/
http://en.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhe...rich_Hegel
http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhe...rich_Hegel
Qual é a maior contribuição deste homem - para quem Cristo não era Deus encarnado, mas um homem que havia ascendido à divindade (1) - e cuja obra já foi descrita como um pântano de palavras com ilhas de significado?
Para Hegel, o presente não existe, somente o futuro, e este só pode ser alcançado por meio do trabalho do negativo na velha dialética tese versus antítese = síntese, porém com a antítese como o elemento principal da equação. Assim sendo, a negatividade passa a ser, na ótica de Hegel, a força motriz da História.
Com a palavra, o próprio:
"O verdadeiro e o falso pertencem aos pensamentos determinados que,
carentes de movimento, valem como essências próprias, as quais, sem ter nada em comum, permanecem isoladas, uma em cima, outra embaixo. Contra tal posição deve-se afirmar que a verdade não é uma moeda cunhada, pronta para ser entregue e embolsada sem mais. Nem há um falso, como tampouco há um mal. O mal e o falso, na certa, não são malignos tanto como o Demônio, pois deles se fazem sujeitos particulares (como aliás também do Demônio). Como mal e falso, são apenas universais; não o bstante têm sua própria essencialidade, um em contraste com o outro." (2)
Resumindo: para Hegel, é possível ser falso e mau sem, necessariamente, realizar uma obra demoníaca, é possível usar o Diabo (aqui entendido como o que há de pior na natureza e nas obras humanas) para realizar o Bem.
Hegel também previu e descreveu o real estado de espírito daqueles que se dedicam ao trabalho da negatividade:
"É certo que o aspecto da vontade, aqui definido esta possibilidade de me abstrair de toda a determinação em que me encontro ou em que estou situado, esta fuga diante de todo o conteúdo como diante de toda a restrição - é aquele em que a vontade se determina. É isso o que a representação põe para si como liberdade e não passa, portanto, de liberdade negativa ou liberdade do intelecto.
É a liberdade do vazio. Pode ela manifestar-se como uma figura real, e torna-se uma paixão. Caso se mantenha, então, simplesmente teórica, temos o fanatismo da pura contemplação hindu; caso se volte para a ação, teremos, tanto em política como em religião, o fanatismo de destruição de toda a ordem social existente, a excomunhão de todo indivíduo suspeito de querer uma ordem, o aniquilamento de tudo o que se apresente como organização. Só na destruição esta vontade negativa encontra o sentimento da sua existência. Pensa que quer um estado positivo, o estado, por exemplo, da igualdade universal ou da vida religiosa universal, mas não pode querer efetivamente a realidade positiva pois esta sempre introduz uma ordem qualquer, uma determinação singular das instituições e dos indivíduos, e é, precisamente, negando esta especificação e determinação objetiva que a liberdade negativa se torna consciente de si. O que julga querer talvez não seja mais do que uma representação abstrata, a realização do que julga querer talvez não seja mais do que uma fúria destruidora." (3)
Estes são apenas alguns exemplos do pensamento deste que pode ser considerado o filósofo mais influente dos últimos duzentos anos.
Para concluir, deixo uma opinião do grande Schopenhauer sobre Hegel:
"Enquanto outros sofistas, charlatões e obscurantistas falsificaram e arruinaram apenas o conhecimento, Hegel destruiu até mesmo o órgão do conhecimento, a própria inteligência. Obrigou os induzidos a enfiar nas próprias cabeças, como se se tratasse de um conhecimento racional, uma confusão formada pelos absurdos mais grotescos, um tecido de contradictionibus in adjeto, uma verborragia de hospício, e o cérebro desses pobres jovens, que liam tudo isso com uma dedicação crédula e tentavam alcançar a sabedoria suprema, foi desordenado de tal maneira, que permaneceu para sempre incapaz de pensar. Por conseguinte, até hoje é possível vê-los perambular, discorrer no repugnante jargão hegeliano, exaltar o mestre e presumir que frases como 'A natureza é a idéia em seu outro' queiram dizer alguma coisa. Com efeito, desorganizar a esse ponto cérebros jovens e frescos é realmente um pecado que não merece perdão nem
indulgência." (4)
(1) https://mises.ca/posts/articles/hegel-and-the-man-god/
http://en.wikipedia.org/wiki/Life_of_Jesus_%28Hegel%29
(2) Prefácio de “Fenomenologia do Espírito”
(3) Prefácio de "Princípios da Filosofia do Direito"
(4) http://abdet.com.br/site/wp-content/uplo...sultar.pdf
http://www.libertarianismo.org/index.php...estatismo/
https://mises.ca/posts/tag/hegel/
http://en.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhe...rich_Hegel
http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhe...rich_Hegel

![[+]](https://legadorealista.com/fdb/images/vienna//collapse_collapsed.png)

: e você quer que eu diga dele o quê? 

