06-02-2020, 11:25 PM
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 08-02-2020, 11:44 PM por Spectro.)
CRÔNICAS DE UM HOMEM SOLTEIRO
O filho da puta!
Lembro que a noite estava no começo apenas. Fazia muito calor e eu jogava vídeo game (Resident Evil), quando fui infectado por uma violenta ideia que veio de repente: ir ao puteiro sozinho! Então, como eu sabia que, mais tarde, eu acabaria por beber cerca de duas ou três cervejas lá na “Residência das garotas más”, usei o aplicativo. Se eu for beber eu não dirijo, mesmo que o destino seja o puteiro. Como diria o louco do Nietzsche: “aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como”.
Na recepção do meu prédio, verifiquei que o motorista do aplicativo era uma donzela com cabelos de ouro (é assim que me refiro às loiras; nunca as chamo de mulheres com cu rosa!). Mas, lógico que eu cancelei a corrida! Não teria coragem de entrar no veículo e me reportar à moça dizendo: “dirija-me ao puteiro, por favor”. Reconheço a minha hipocrisia. Antes de cancelar, não deixei de gargalhar sozinho pensando: “se eu não cancelasse, naquela noite duas mulheres me proveriam serviços: a primeira seria minha motorista; a última, minha puta. No fim das contas, com vergonha rejeitei a honesta... para que sem vergonha eu pudesse abraçar aquela que não presta”. Contrates da vida!
O segundo motorista disponível no aplicativo era um homem gordo e triste, o que não era um problema para mim. Aliás, não necessariamente! Pois havia um segundo constrangimento que – sem fundamento – amargou minhas tripas: o de ir ao puteiro sozinho! Este, porém, era bem mais fácil de ser remediado: simplesmente inventei que meus amigos lá me aguardavam! Como um bom cara de pau que sou, logo forjei uma ligação, antes de descer do carro: “Fala Pedrão, estou chegando cara. Onde vocês estão? No balcão lá atrás? Firmeza!”. Encerro a ligação, porém, sentindo mais vergonha do que se tivesse assumido a solidão daquela odisseia!
Vá se foder você também! Afinal de contas, porra, assim como qualquer outro homem em sã consciência, trabalhador, eu não queria transmitir a má impressão de que eu era um maníaco esquisito, ou um tarado estuprador. A matemática da ocasião era simples, vejam só: noite de sábado; sou um homem solteiro; o 13º salário havia caído; e eu queria sair para comer um cu... rosa, preto ou azul, não tem problema... sendo de mulher, para mim não tem dilema!
Na recepção, o escroto e seboso do segurança passou o detector de metal na minha cintura – não sem incomodar minhas bolas - e perguntou se eu já conhecia a casa. Exercitando a minha luta diária para ser cada vez mais descolado, acabei falando de forma descalibrada que naquele lugar eu já mijava de porta aberta! O segurança não esboçou reação. A recepcionista, porém, achou muita graça da piada, muita! Encantado com o riso sincero da menina, pensei comigo mesmo: “ali no puteiro, estaria eu cometendo um assédio caso eu perguntasse quanto aquela recepcionista cobraria por uma hora comigo?”. Com certeza seria!
Ao entrar, me deparo com duas garotas dormindo no sofá, parecendo estarem mortas; outras quatro gostosas em pé, junto de dois malandros horríveis. Em um outro sofá, jazia um homem, mais gordo e mais triste do que o motorista. Para completar o inferno, três velhos com bigodes amarelos bebiam whisky numa mesa de centro. Estes últimos contemplavam o show de uma morena peituda. Ignorei todos e, tentando transparecer naturalidade, fui ao balcão portando na cara a mesma expressão que eu uso quando entro em uma farmácia para comprar dipirona.
Peço uma cerveja ao garçom e me aproximo do palco para ver aquela Deusa: a morena peituda que saciava a imaginação dos velhos! A menina, com a experiência e a dedicação de uma doutora, subia e descia no Pole Dance, sem medo nem vergonha! Foi possível até sentir o cheiro do perfume e do suor que escorria pelo corpo perfeito dela! Fixei meus olhos naquela bunda dura e grudenta de purpurina, nas coxas grossas e no lindo rosto. Uma autêntica diaba sem chifres! Mas não deixei de reparar, também, uma notável cicatriz de cirurgia cesariana, cuja marca não pode ser coberta pela calcinha branca.
Naquela hora, o meu miserável princípio de ereção foi derrotado pelo seguinte pensamento: “quem será que - nesse exato momento - está tomando conta do filho da puta?”.
E a madrugada estava apenas no começo, ao som de Blues sujo...

![[+]](https://legadorealista.com/fdb/images/vienna//collapse_collapsed.png)

