05-06-2018, 10:33 AM
Vamos prosseguir...
Ainda bem que no outro dia o cara do dialeto estranho me arrumou um barco, que lá eles chamam de voadeira. Ia sair cedinho com mais alguns passageiros, então daria pra pedalar bem naquele dia. Antes de embarcar tinha um tiozinho que trabalhava de humorista e fazendo shows pelo Paraná e agora tava morando no Superagui pq segundo ele, mais uns meses e ele morreria de cirrose porque os amigos deles viviam chamando ele pra ir tomar umas pingas e como ele é bom de copo sempre ia.
Ficamo batendo papo até prepararem o barco pra sair, cara bastante simpático. Botamo a bicicleta no barco, todo mundo se agasalhou como pode pq tava um frio lascado e uma garoinha chata e partiu Paranaguá. Mais ou menos uns 30 minutos de barco entre os navios do Porto de Paranaguá depois, desembarcamos numa prainha. Tentei pedir pra um frentista de um posto próximo para que eu pudesse bater uma água rapidinho na bike pra tirar a areia, mas o cara tava de mal humor e não deixou... Bem, fazer o que. Tratei logo de zarpar pq tinha um pessoalzinho estranho naquela parte do caís.
Só que tive que parar logo em seguida, pois começou cair uma chuva meio grossa (e fria!) que ferrava tudo. Parei embaixo de uma marquise de um banco e resolvi esperar um pouquinho, enquanto já deixava a capa de chuva fácil pra vestir, se preciso. Eu tava acostumado a pedalar em chuvas torrenciais em pleno Julho, então não seria nada extraordinário. Mas São Pedro foi legal comigo e a chuva parou depois de um tempinho, então, toca pra estrada.
Infelizmente nem tirei muita foto do caminho de Paranaguá porque com a chuva eu tava com medo de que o celular molhasse, me deixando sem o Strava e o mapa que usava pra checar o caminho.
Aí tinha duas opções: tentar ir pra Garuva (meu plano original se eu tivesse ido pela Telégrafo e ido mais por dentro do PR), uma cidadezinha pequena já em SC ou ir costeando pelo Pontal do Paraná. Obviamente preferi ir pela costa, pra poder apreciar melhor a paisagem das praias do Paranã.
O caminho tava muito bom, bem planinho, só que o joelho direito e meu calcanhar esquerdo tava ficando crítico de tanta dor. Tinha hora que tinha q tinha q descer da bicicleta, empurrar um pouco ela pra poder esticar as pernas e continuar a pedalar. Nesse ritmo cheguei a Matinhos, bela cidade litorânea (e meio riquinha) e dali tive que pegar um morrinho FILHO DA PUTA pra poder chegar até a barca que fazia a travessia até Guaratuba. Na balsa, mais uma vez pessoal via aquele jagunço de bicicleta cheio de tralhas e vinha perguntar daonde eu vinha e pra onde eu ia. Qdo eu falava que era de SP pessoal sempre arregalava o olho hahah
Chegando do outro lado tratei de bater um rango pq eu tava ficando sem energia. Os lanchinhos que tinham trago não tavam dando conta. Então cacei um restaurante mais em conta, dum casalzinho chinês, peguei o pratão mais caprichado que tinha (flango com macarrão) e fiquei lá na porta do estabelecimento batendo o rangão como um PEDREIRO. Pessoal passava e não sei se ficava mais de cara comigo que tava parecendo um nômade mongol ou com a bicicleta carregada que tava do meu lado.
Pança cheia e digestão feita, trepei na bike e fui sentido SC. Queria tirar uma foto bem bacana naquelas placas de rodovia, que sinalizam a divisa de estado. Porém não achei nenhuma e tava me perguntando onde diabos estava Santa Catarina. Chegando numa prainha, paro pra descansar e tomar minha água misturada com aqueles soros em pó (aquilo salva viu? Recomendo quem for fazer loucura semelhante levar uns saquinhos disso, é baratinho e mata a caibra que a desidratação dá e quase me quebrou no 2º dia), olho pra cima e vejp no posto salva vidas que já tava em SC! Porra, nem pra ter uma plaquinha legal avisando...
Aí fui pedalando nas orlas catarinenses até chegar em Itapoá, cidade estilo Praia Grande, onde o pessoal compra casas de veraneio e vai pra lá nos feriadões (achei bem mais bacana que PG, mesmo com um monte de pistinhas de terra).
Chegando lá fui logo pro camping mais na ponta da cidade que tinha, porque queria ficar o mais perto pra chegar em Joinville logo. Um camping muito bonito e tudo, só que FECHADO...
Fui caçando outro lugar pra dormir no celular, basicamente só tinham quartos pra alugar pra temporada. Aí finalmente achei outro camping, tava aberto, era baratinho, então parti pra lá. Chegando lá, as habituais questões sobre a minha jornada, fui batendo um papo com o dono do lugar, um cara bem legal e tratei de armar minha rede (enquanto os mosquitos e um filhotinho de cachorro me enchiam o saco) pq tinha q dar uma boa descansada pra amanhã. Fiz um rango rápido, tomei um banho quente e cama! Dormi feito uma pedra e as 5 já tava de pé. Só tomei um desjejum, arrumei a tralha e parti (uma pena pois até queria ficar mais por lá). Pretendia parar em Joinville pra poder descansar melhor o meu joelho, que já tava pedindo arrego.
Parti rumo a Balsa do Vigorelli, que fazia a travessia Vila da Glória - Joinville. Tava pensando em ir pra São Francisco do Sul, porém como Joinville era maior e tinha o Museu da Bicicleta, resolvi ir pra lá mesmo. Tive que pegar uma estradinha de areia muito da filha da puta que me fazia atolar feito porco na lama. Mas rapidinho ela passou e pedalei na parte sul, já na Vila da Glória, mais uma bela paisagem do litoral catarinense.
Daí peguei a pista pro Vigorelli, onde tinha outras subidas lascadas e lá vai eu pro empurra bike. Chegou numa parte que começou umas descidas meio fortes e então fui pelo acostamento, que só tinha na contra mão. Nesse momento tive mais um momento "cu na mão". Tava descendo a milhão no acostamento e do nada uma porrada de galhos me aparece no meio do caminho. Fui desviar, só que vieram 3 carros na contra mão... Entre se espatifar com carro ou nas árvores, bem, lá fui eu beijar a natureza... Foi uma porrada e tanto, mas ainda bem que nem cai da bicicleta nem nada, foi mais um tremendo susto. Só tava sentindo uma ardência desgramada no pescoço, mas como tava chegando na balsa ia deixar pra ver isso lá.
Chegando na balsa, paro pra tomar uma água que tinha numa bica e ver que diabos era aquilo no meu pescoço. Qdo fui ver com um espelho, tava tudo encaroçado e vermelho. Que porra era aquela? Aí na habitual explanação do "onde vinha/onde vou" pra uns ciclistas que tavam lá esperando a balsa pra voltar pra Joinville, eles me explicam que bati de frente com o famigerado bambu "Lambe Papo" e que basicamente todo ciclista de lá já teve a infelicidade de tb ter seu papo avariado pela bendita planta. E que ainda tive sorte, pois esse mesmo bambu tem uns esporões e costuma enfiar no couro de muito ciclista azarado, causando um estrago daqueles. Dei Graças por ter só me ferrado aquele tanto e continuei a meter água gelada no pescoço, pra ver se aliviava um pouco aquela ardência.
A balsa chegou, embarquei nela e só no meio do caminho percebi que deixei meu boné velho de guerra do outro lado.
Até pedi pro pessoal da balsa ver se achava ele, mas não conseguiram. Então dei ele como baixa, subi na bicicleta e fui pedalando na manha até Joinville, onde me hospedei numa pousadinha. Depois que o corpo esfriou, foi que o joelho começou a cobrar a dívida de dias de abuso: uma dor ferrada, sendo um suplício para poder subir escada e até mesmo andar. Ai ai ai...
Encerro por aqui, amanhã posto o que fiz em Joinville e o que fiz pra tentar remendar o joelho.
Ainda bem que no outro dia o cara do dialeto estranho me arrumou um barco, que lá eles chamam de voadeira. Ia sair cedinho com mais alguns passageiros, então daria pra pedalar bem naquele dia. Antes de embarcar tinha um tiozinho que trabalhava de humorista e fazendo shows pelo Paraná e agora tava morando no Superagui pq segundo ele, mais uns meses e ele morreria de cirrose porque os amigos deles viviam chamando ele pra ir tomar umas pingas e como ele é bom de copo sempre ia.
Ficamo batendo papo até prepararem o barco pra sair, cara bastante simpático. Botamo a bicicleta no barco, todo mundo se agasalhou como pode pq tava um frio lascado e uma garoinha chata e partiu Paranaguá. Mais ou menos uns 30 minutos de barco entre os navios do Porto de Paranaguá depois, desembarcamos numa prainha. Tentei pedir pra um frentista de um posto próximo para que eu pudesse bater uma água rapidinho na bike pra tirar a areia, mas o cara tava de mal humor e não deixou... Bem, fazer o que. Tratei logo de zarpar pq tinha um pessoalzinho estranho naquela parte do caís.
Paranaguá:
Só que tive que parar logo em seguida, pois começou cair uma chuva meio grossa (e fria!) que ferrava tudo. Parei embaixo de uma marquise de um banco e resolvi esperar um pouquinho, enquanto já deixava a capa de chuva fácil pra vestir, se preciso. Eu tava acostumado a pedalar em chuvas torrenciais em pleno Julho, então não seria nada extraordinário. Mas São Pedro foi legal comigo e a chuva parou depois de um tempinho, então, toca pra estrada.
Infelizmente nem tirei muita foto do caminho de Paranaguá porque com a chuva eu tava com medo de que o celular molhasse, me deixando sem o Strava e o mapa que usava pra checar o caminho.
Aí tinha duas opções: tentar ir pra Garuva (meu plano original se eu tivesse ido pela Telégrafo e ido mais por dentro do PR), uma cidadezinha pequena já em SC ou ir costeando pelo Pontal do Paraná. Obviamente preferi ir pela costa, pra poder apreciar melhor a paisagem das praias do Paranã.
Pontal do Paranã:
O caminho tava muito bom, bem planinho, só que o joelho direito e meu calcanhar esquerdo tava ficando crítico de tanta dor. Tinha hora que tinha q tinha q descer da bicicleta, empurrar um pouco ela pra poder esticar as pernas e continuar a pedalar. Nesse ritmo cheguei a Matinhos, bela cidade litorânea (e meio riquinha) e dali tive que pegar um morrinho FILHO DA PUTA pra poder chegar até a barca que fazia a travessia até Guaratuba. Na balsa, mais uma vez pessoal via aquele jagunço de bicicleta cheio de tralhas e vinha perguntar daonde eu vinha e pra onde eu ia. Qdo eu falava que era de SP pessoal sempre arregalava o olho hahah
Spoiler:
Chegando do outro lado tratei de bater um rango pq eu tava ficando sem energia. Os lanchinhos que tinham trago não tavam dando conta. Então cacei um restaurante mais em conta, dum casalzinho chinês, peguei o pratão mais caprichado que tinha (flango com macarrão) e fiquei lá na porta do estabelecimento batendo o rangão como um PEDREIRO. Pessoal passava e não sei se ficava mais de cara comigo que tava parecendo um nômade mongol ou com a bicicleta carregada que tava do meu lado.
Pança cheia e digestão feita, trepei na bike e fui sentido SC. Queria tirar uma foto bem bacana naquelas placas de rodovia, que sinalizam a divisa de estado. Porém não achei nenhuma e tava me perguntando onde diabos estava Santa Catarina. Chegando numa prainha, paro pra descansar e tomar minha água misturada com aqueles soros em pó (aquilo salva viu? Recomendo quem for fazer loucura semelhante levar uns saquinhos disso, é baratinho e mata a caibra que a desidratação dá e quase me quebrou no 2º dia), olho pra cima e vejp no posto salva vidas que já tava em SC! Porra, nem pra ter uma plaquinha legal avisando...
Spoiler:
Aí fui pedalando nas orlas catarinenses até chegar em Itapoá, cidade estilo Praia Grande, onde o pessoal compra casas de veraneio e vai pra lá nos feriadões (achei bem mais bacana que PG, mesmo com um monte de pistinhas de terra).
Chegando lá fui logo pro camping mais na ponta da cidade que tinha, porque queria ficar o mais perto pra chegar em Joinville logo. Um camping muito bonito e tudo, só que FECHADO...
Fui caçando outro lugar pra dormir no celular, basicamente só tinham quartos pra alugar pra temporada. Aí finalmente achei outro camping, tava aberto, era baratinho, então parti pra lá. Chegando lá, as habituais questões sobre a minha jornada, fui batendo um papo com o dono do lugar, um cara bem legal e tratei de armar minha rede (enquanto os mosquitos e um filhotinho de cachorro me enchiam o saco) pq tinha q dar uma boa descansada pra amanhã. Fiz um rango rápido, tomei um banho quente e cama! Dormi feito uma pedra e as 5 já tava de pé. Só tomei um desjejum, arrumei a tralha e parti (uma pena pois até queria ficar mais por lá). Pretendia parar em Joinville pra poder descansar melhor o meu joelho, que já tava pedindo arrego.
Parti rumo a Balsa do Vigorelli, que fazia a travessia Vila da Glória - Joinville. Tava pensando em ir pra São Francisco do Sul, porém como Joinville era maior e tinha o Museu da Bicicleta, resolvi ir pra lá mesmo. Tive que pegar uma estradinha de areia muito da filha da puta que me fazia atolar feito porco na lama. Mas rapidinho ela passou e pedalei na parte sul, já na Vila da Glória, mais uma bela paisagem do litoral catarinense.
Vila da Glória:
Daí peguei a pista pro Vigorelli, onde tinha outras subidas lascadas e lá vai eu pro empurra bike. Chegou numa parte que começou umas descidas meio fortes e então fui pelo acostamento, que só tinha na contra mão. Nesse momento tive mais um momento "cu na mão". Tava descendo a milhão no acostamento e do nada uma porrada de galhos me aparece no meio do caminho. Fui desviar, só que vieram 3 carros na contra mão... Entre se espatifar com carro ou nas árvores, bem, lá fui eu beijar a natureza... Foi uma porrada e tanto, mas ainda bem que nem cai da bicicleta nem nada, foi mais um tremendo susto. Só tava sentindo uma ardência desgramada no pescoço, mas como tava chegando na balsa ia deixar pra ver isso lá.
Spoiler:
Chegando na balsa, paro pra tomar uma água que tinha numa bica e ver que diabos era aquilo no meu pescoço. Qdo fui ver com um espelho, tava tudo encaroçado e vermelho. Que porra era aquela? Aí na habitual explanação do "onde vinha/onde vou" pra uns ciclistas que tavam lá esperando a balsa pra voltar pra Joinville, eles me explicam que bati de frente com o famigerado bambu "Lambe Papo" e que basicamente todo ciclista de lá já teve a infelicidade de tb ter seu papo avariado pela bendita planta. E que ainda tive sorte, pois esse mesmo bambu tem uns esporões e costuma enfiar no couro de muito ciclista azarado, causando um estrago daqueles. Dei Graças por ter só me ferrado aquele tanto e continuei a meter água gelada no pescoço, pra ver se aliviava um pouco aquela ardência.
A balsa chegou, embarquei nela e só no meio do caminho percebi que deixei meu boné velho de guerra do outro lado.
Até pedi pro pessoal da balsa ver se achava ele, mas não conseguiram. Então dei ele como baixa, subi na bicicleta e fui pedalando na manha até Joinville, onde me hospedei numa pousadinha. Depois que o corpo esfriou, foi que o joelho começou a cobrar a dívida de dias de abuso: uma dor ferrada, sendo um suplício para poder subir escada e até mesmo andar. Ai ai ai...
Encerro por aqui, amanhã posto o que fiz em Joinville e o que fiz pra tentar remendar o joelho.
Acima de tudo, reze o terço.
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Pergunta aí: https://ask.fm/baraokageyama
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