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Salário mínimo, uma praga
Mestre Laveley
Curioso
 
#18
11-09-2012, 09:51 PM
(11-09-2012, 10:42 AM)Búfalo Escreveu: Bom, mestre, de volta à pergunta: os mexicanos estariam em situação pior ou melhor SEM aquelas multinacionais? Como estariam SEM estas maquiladoras? Recebendo assistencialismo do governo, como um recebedor de Bolsa Família? Ou estariam mendingando nas ruas do México?

Realmente empreendedores sempre irão querer vender seus bens e serviços ao maior preço possível e sempre tentarão reduzir seus custos ao menor valor possível. É daí que advém o lucro, essencial para a continuidade de suas atividades. Não há divergência quanto a este fato. Não irei me concentrar nesta questão aqui. Mas o que irá impedir que salários miseráveis sejam pagos foi completa e detalhadamente explicado por George Reisman nestes dois artigos:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1241
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=773

Agora, afirmar que "existe um excedente de mão de obra qualificada" é negar tudo isso que você relatou. O Brasil, com a sua educação latrinária (consequência inevitável dos currículos universitários impostos pelo Ministério da Educação), está sofrendo um desconcertante apagão de talento e qualificação. Escolha qualquer área e qualquer setor da economia hoje: o que você verá são profissionais mais incapacitados do que aqueles de 10 anos atrás — consequência direta do sumidouro de talentos que é o setor público, que, ao oferecer salários nababescos (sustentados por impostos espoliados da iniciativa privada), rouba do setor privado pessoas capacitadas que nunca mais voltarão para ele. Vá às universidades de hoje, aos cursos de engenharia, e pergunte aos melhores alunos da turma o que eles querem ser: auditor da Receita, do INSS, fiscal da Fazenda Estadual e por aí.

Dez anos de incentivos distorcidos criados pelo senhor Luiz Inéscio não poderiam passar incólumes. As consequências serão inevitáveis. Daqui pra frente, a situação tende a piorar ainda mais, assim como a qualidade dos serviços e a capacitação das pessoas.

Não respondi a tua pergunta pq ela não tem nada haver com questão que eu apontei. Não sei se estaria melhor ou pior com ou sem as maquiladoras.

A questão que eu levantei não foi a de que as maquiladoras deveriam ou não existir no méxico.

A questão é que elas existem e o povo lá é obrigado a trabalhar por um salário miserável pois não tem poder de barganha frente a essas firmas e o estado não intervém, primeiro por medo de afastar tais firmas que são um bolsão de empregos pra sua população (mesmo que sejam péssimos) e segundo pq se o fizesse só afastaria tais firmas que só são atraídas pela mão-de-obra barata de qualquer forma.

Terceiro, e mais importante, que foi o próprio estado mexicano que atraiu tais firmas para lá, seguindo a pauta liberal que os americanos ditaram a eles, por meio da alca, fizeram tudo que os americanos pediram: abriram os mercados, e abdicaram da indústria nacional para atrair a indústria americana. Só que a indústria americana que foi pra lá só foi pensando no barateamento dos fatores de produção, não foram para lá pensando em gerar empregos de qualidade para o povo e desenvolver uma nação, no fim acabaram por quebrar a já incipiente indústria genuinamente mexicana.

Agora, sob a luz da teoria econômica e liberal tu iria dizer que a culpa é do estado mexicano, que não capacitou a população para que quando as firmas americanas invadissem o país, encontrassem mão de obra qualificada e pagassem um salário muito superior. Aliás, devido a isso nem seriam firmas trabalho intensivas que iriam para lá, mas sim capital intensivas que produziriam produtos de maior valor agregado, o que por sua vez ajudaria os mexicanos a se desenvolver ainda mais... enfim foi essa a propraganda que os americanos venderam e os mexicanos compraram.

Mas isso tudo não é o foco da discussão do tópico e, tampouco estou afim de discutir se a situação mexicana atual é culpa do liberalismo econômico ou não. Esse rodeio todo que fiz foi para te deixar claro que quando citei a situação do méxico era para exemplificar oq ocorreria ao Brasil (hoje talvez não, mas no passado com certeza) se não houvessem leis trabalhistas que protegessem o empregado e não barateassem tanto a mão-de-obra.

Nesse quesito os chineses foram muito mais espertos que os mexicanos: quando abriram o seu mercado para as transnacionais, fizeram exigências a elas para que produzissem ali, com um único e singular objetivo; transferência de tecnologia.

A cada transnacional que se instalava na china para se aproveitar da mão-de-obra barata tinha que demonstrar toda a sua forma de produção ao governo chinês. Não só isso, como o governo chines imediatamente instalava uma firma nacional ao lado da transnacional, com o único objetivo de copiar o produto que ali estava sendo produzido.

Veja que a china assim conseguiu criar uma indústria nacional a partir da copia gerada pela transferência tecnológica gringa, atraves de exigência estatal. Hoje em dia a china tem a segunda maior indústria do mundo e produzem até automóveis, coisa que era inimaginavel a 20 anos atrás.

Veja que oq separou o futuro chines do mexicano foi justamente a intervenção estatal que tu tanto condenas. Não na questão salarial, é verdade, mas mesmo assim, sem um estado forte e interventor a indústria genuinamente chinesa jamais teria se criado.

Bueno, agora vamos ao assunto que realmente interessa: o caso Brasileiro.

Quanto a questão do excedente de mão-de-obra qualificada. Bom, vc pode discordar de mim, mas o IBGE não. As últimas estatísticas de emprego demonstram que a taxa de desemprego tem subido entre a faixa de escolaridade a nível superior em relação a de nível médio e fundamental e técnico. Aliás, muita gente está abdicando de fazer faculdade pra fazer cursos técnicos profissionalizantes pq sai de lá já empregado.

Isso não é opinião minha cara. É só vc ir atrás dos dados para verificar tal fato. Nem precisaria pq é só observar o dia-a-dia para constatar tais coisas, assim como eu constatei por meio dos relatos que aqui descrevi.

Agora quanto a questão dos encargos trabalhistas. Bom, isso é verdade e não poderia discordar de ti. Não só os encargos como toda a carga tributária que pesa em cima da indústria em si. Isso sim gera desemprego! Perceba que o problema não é o salário mínimo em si.

Poderia colocar aqui outro relato que presenciei certa vez, mas não vou para não me alongar demais (o post já está gigante), mas perceba que os empresários reclamam muito mais dos impostos do que do salário mínimo e do custo da mão-de-obra!

É por isso que uma reforma tributária nessa nação é imprescindível e urgente para o desenvolvimento. Mas é claro que isso não acontece pq mexe com os interesses escusos das elites políticas nacionais, afinal, pra onde vai esse caminhão de impostos que é pago ao governo?
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Salário mínimo, uma praga - por Bright - 08-09-2012, 09:17 PM

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