19-11-2015, 08:11 PM
O mercado jurídico sempre esteve em crise, muito antes de qualquer crise econômica. Se engana, portanto, quem acha que este nicho de mercado jamais quebrará porque sempre existirão litígios.
Na iniciativa privada, a tendência é a geração de monopólios, com os grandes escritórios (já consolidados há muito tempo) incorporando os menores escritórios, absorvendo essa mão-de-obra qualificada com honorários baixos e impedindo o surgimento dos pequenos empreendores jurídicos, pela falta de espaço, oportunidade, competitividade e etc.
A concorrência complica ainda mais, pois as seccionais disciplinam os honorários a serem cobrados. Para quem não entendeu, as seccionais lançam anualmente tabelas de honorários para cada ato privativo de um advogado, de modo que estes devem cobrar os valores em conformidade com ela. Se tentar baixar (e na prática muitos fazem), poderá ser denunciado e, eventualmente, ter a inscrição cassada. Na prática, mesmo pós-graduado, com mão-de-obra qualificada corre o sério risco de ter uma horrível remuneração.
Se engana que, aqui, o merecimento salvaria alguém, pois muitas personalidades midiáticas e consolidadas, são verdadeiras mulas, já ultrapassadas e que sobrevivem pelo nome, contratando outros juristas para desempenhar os seus serviços. E o nome, marketing pessoal e o tempo, contam muito mais do que a sua capacidade, segundo a ótica daquele que está fora da área jurídica.
Cabe ainda a ressalva de que a publicidade e o marketing são proibidos, portanto, esqueça aquilo que você vê em séries e filmes americanos.
Em síntese, é mais um exemplo de uma tentativa de regulamentar um setor que dá errado e é agravado por uma crise econômica.
Já o funcionalismo público pode ser entendido como um verdadeiro funil. Tudo depende do cargo, da fazenda que irá contratar e do local que ela se encontra. Estados quebrados levam anos para começar a chamar os aprovados, e até lá você tem que se manter. Concursos vinculados ao Executivo Federal são suscetíveis ao que acontece em Brasília. E municípios falidos, óbviamente, vão remunerar muito mal.
Muitos esquecem que os cargos picas, que todos querem, exigem alguns anos de prática jurídica, ou seja, não é só estudar, passar e tchau, vai ter que comprovar que já desempenhava alguma função jurídica por pelo menos 3 ou 4 anos (a depender), seja como concursado em algum órgão jurídico ou como advogado. E isto é um pré-requisito, vai ter que ter este tempo de serviço antes de se inscrever.
Se engana também quem acha que é tranquilão abater isso com estágio de pós, porque além de passar nas seletivas, bancar a pós e estudar na pós, o networking aqui é essencial.
Além disso, esqueçam aqueles exemplos de "gênios", que passam de primeira, sem se esforçar e por aí vai. Qualquer tipo de concurso demanda investimento, seja no capital, para bancar cursos e material, seja no tempo, pois você vai ter que se dedicar aos estudos e estará inviabilizado de desempenhar outras atividades.
Aqui cabe uma crítica pessoal aos concurseiros de carreira (leia-se, aqueles indivíduos que se fecham uma bolha e ficam lá, apenas naquilo durante vários anos, sem saber a hora de parar). Conheço uma indivídua, que está há 20 anos nessa vida de concurseira, fazendo todo tipo de concurso, dilapidando o escasso patrimônio dela, da família, do filho e, à época, a pensão que recebia. Nunca passou, mas está sempre lá tentando. E não, ela não trabalha.
Sonhos são bons e necessários, mas nem todos se realizam, é necessário estar sempre preparado com um plano B, C, e até mesmo D.
Em síntese, está seria uma visão macro do mercado jurídico nacional pessoal. Não consigo mais ver espaços para aventureiros, mas sim para aqueles que já possuem uma carreira traçada, planejamento, vontade e condições de se bancar.
Algo que é necessário pontuar é que para qualquer carreira profissional, existe a necessidade de equilibrar a remuneração com o gosto pessoal. Tem que ganhar bem? Tem. Tem que gostar do que faz? Tem. Pra achar o meio-termo disso, cada um terá que encontrar a sua resposta, sob pena de ser mais alguém frustrado por aí.
Na iniciativa privada, a tendência é a geração de monopólios, com os grandes escritórios (já consolidados há muito tempo) incorporando os menores escritórios, absorvendo essa mão-de-obra qualificada com honorários baixos e impedindo o surgimento dos pequenos empreendores jurídicos, pela falta de espaço, oportunidade, competitividade e etc.
A concorrência complica ainda mais, pois as seccionais disciplinam os honorários a serem cobrados. Para quem não entendeu, as seccionais lançam anualmente tabelas de honorários para cada ato privativo de um advogado, de modo que estes devem cobrar os valores em conformidade com ela. Se tentar baixar (e na prática muitos fazem), poderá ser denunciado e, eventualmente, ter a inscrição cassada. Na prática, mesmo pós-graduado, com mão-de-obra qualificada corre o sério risco de ter uma horrível remuneração.
Se engana que, aqui, o merecimento salvaria alguém, pois muitas personalidades midiáticas e consolidadas, são verdadeiras mulas, já ultrapassadas e que sobrevivem pelo nome, contratando outros juristas para desempenhar os seus serviços. E o nome, marketing pessoal e o tempo, contam muito mais do que a sua capacidade, segundo a ótica daquele que está fora da área jurídica.
Cabe ainda a ressalva de que a publicidade e o marketing são proibidos, portanto, esqueça aquilo que você vê em séries e filmes americanos.
Em síntese, é mais um exemplo de uma tentativa de regulamentar um setor que dá errado e é agravado por uma crise econômica.
Já o funcionalismo público pode ser entendido como um verdadeiro funil. Tudo depende do cargo, da fazenda que irá contratar e do local que ela se encontra. Estados quebrados levam anos para começar a chamar os aprovados, e até lá você tem que se manter. Concursos vinculados ao Executivo Federal são suscetíveis ao que acontece em Brasília. E municípios falidos, óbviamente, vão remunerar muito mal.
Muitos esquecem que os cargos picas, que todos querem, exigem alguns anos de prática jurídica, ou seja, não é só estudar, passar e tchau, vai ter que comprovar que já desempenhava alguma função jurídica por pelo menos 3 ou 4 anos (a depender), seja como concursado em algum órgão jurídico ou como advogado. E isto é um pré-requisito, vai ter que ter este tempo de serviço antes de se inscrever.
Se engana também quem acha que é tranquilão abater isso com estágio de pós, porque além de passar nas seletivas, bancar a pós e estudar na pós, o networking aqui é essencial.
Além disso, esqueçam aqueles exemplos de "gênios", que passam de primeira, sem se esforçar e por aí vai. Qualquer tipo de concurso demanda investimento, seja no capital, para bancar cursos e material, seja no tempo, pois você vai ter que se dedicar aos estudos e estará inviabilizado de desempenhar outras atividades.
Aqui cabe uma crítica pessoal aos concurseiros de carreira (leia-se, aqueles indivíduos que se fecham uma bolha e ficam lá, apenas naquilo durante vários anos, sem saber a hora de parar). Conheço uma indivídua, que está há 20 anos nessa vida de concurseira, fazendo todo tipo de concurso, dilapidando o escasso patrimônio dela, da família, do filho e, à época, a pensão que recebia. Nunca passou, mas está sempre lá tentando. E não, ela não trabalha.
Sonhos são bons e necessários, mas nem todos se realizam, é necessário estar sempre preparado com um plano B, C, e até mesmo D.
Em síntese, está seria uma visão macro do mercado jurídico nacional pessoal. Não consigo mais ver espaços para aventureiros, mas sim para aqueles que já possuem uma carreira traçada, planejamento, vontade e condições de se bancar.
Algo que é necessário pontuar é que para qualquer carreira profissional, existe a necessidade de equilibrar a remuneração com o gosto pessoal. Tem que ganhar bem? Tem. Tem que gostar do que faz? Tem. Pra achar o meio-termo disso, cada um terá que encontrar a sua resposta, sob pena de ser mais alguém frustrado por aí.


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