03-07-2012, 10:47 PM
(Esta mensagem foi modificada pela última vez a: 03-07-2012, 10:49 PM por Navarre.)
Barão, o problema é a dificuldade das pessoas em entenderem o crescimento exponencial.
Supondo que coloquemos uma bactéria em um tubo de ensaio com proteínas. Ele começaria a se multiplicar em projeção geométrica. Primeiro ela se dividiria em duas. Essas duas se dividiriam em quatro. As quatro se dividiriam em dezesseis, 256, 65536...
Suponhamos que a taxa de crescimento das bactérias dentro do tubo de ensaio é de 1.17% por minuto. A cada uma hora, a população de bactérias dobra em número.
Suponhamos que a população de bactérias chegasse a capacidade máxima permitida dentro do tubo de ensaio em 24 horas. Nesse ponto todo o sistema entraria em colápso por falta de proteína no tubo. As bactérias então começariam a morrer e serem devoradas pelas sobreviventes na última luta pela sobrevivência.
Suponhamos que nesse instante limite de 24 horas eu resolva então dividir a solução de bactérias em outro tubo de ensaio idêntico novo em folha com a mesma quantidade de proteínas que o tubo inicial.
Quanto tempo levaria para que as bactérias chegassem novamente ao limite do ambiente onde se encontram?
Resposta: Apenas mais uma hora. Visto que a população de bactérias dobra em número nesse espaço de tempo, esta tomaria todo o outro tubo de assalto em apenas uma hora.
Pois bem...
Somos como as bactérias no tubo de ensaio. Nos multiplicamos em escala geométrica na casa de 1.3% ao ano. O que nos leva a dobrar em número a cada 53 anos (corrigindo minhas afirmativas no post anterior seremos 28 bilhões em cem anos). Como elas, também estamos confinados em um espaço finito com recursos limitados.
Então, acreditar que novas descobertas tecnológicas de último minuto podem salvar a humanidade chega a ser ingênuo.
O que vai acontecer é que a natureza irá seguir o seu curso. Quem não se adapta ao meio, esse em questão é finito diga-se de passagem, é extinto.
Sobre descobrir um novo planeta...
Eu diria que deve levar em torno de 500 a 1000 anos até que sejamos capazes colonizar um planeta. E mesmo assim sendo, não poderíamos transportar mais do que alguns andróides estéreis.
Imagine que o Sol é um grão de areia na ponta do seu dedo. O próximo grão de areia (estrela) se encontra a um kilômetro de distância do seu dedinho.
A luz demora oito minutos para chegar do Sol até a Terra.
Se você pudesse construir uma nave capaz de viajar a velocidade da luz, a velocidade máxima permitida no universo, você levaria apenas oito minutos para chegar até o Sol. Porém, você levaria nessa mesma nave um ano inteiro intermitantemente para chegar até a estrela mais próxima.
Leve em conta que a aceleração até tal velocidade deve ser gradual para que a tripulação não morra esmagado no interior da nave. Leve também em conta que a desaceleração na chegada precisa tomar o mesmo tempo.
Imagine que a gravidade da Terra é uma aceleração de 9.8 m/s^2. Sendo assim, uma nave carregando humanos levaria em torno de 1 ano para atingir confortavelmente a velocidade da luz, e mais um ano para desacelerar.
Só tem mais um detalhe, é fisicamente impossível que um objeto com massa alcance a velocidade da luz a menos que esse objeto produza energia infinita vinda do vácuo, visto que combustível também possue massa e precisa ser transportado.
A melhor solução até agora é uma nave impulsionada por uma Vela Solar. Propulsionada apenas pelos ventos solares, a nave teria uma fonte de energia gratuita podendo chegar a velociadade final perto de até 10% da velocidade da luz. A viagem nessa velocidade constante até a estrela mais próxima então passaria a 10 anos. Porém, temos o problema da aceleração novamente.
Não vou fazer os cálculos absurdos para mostrar a aceleração de uma nave espacial usando tal sistema. A massa da nave deve ser considerada e o ângulo da vela da mesma ao ser lançada em relação ao Sol. Porém devo dizer que a aceleração embora intermitente, deve estar na casa da arrancada de uma tartaruga manca. Levaria quase um século até que a tal nave alcançasse sua velocidade final. E não esqueça da desaceleração.
Não devemos esquecer que o próximo planeta habitável pode não estar na estrela mais próxima, mas sim a dezenas ou centenas de anos luz de distância.
Como poderíamos transportar toda essa gente?
E mais, se mesmo assim pudessemos fazer isso, levaria apenas um século ou dois para que esse novo planeta estivesse na mesma situação da Terra, lotado de gente.
Em resumo:
As próprias leis da física nos limitam ao nosso meio finito, a Terra. Ou aprendemos a viver em equilíbrio com o nosso ecossistema, ou seremos extintos.
A maior prova de que esse equilíbrio é totalmente necessario para se atingir o próximo passo é que nunca fomos contactados por outra inteligência espacial, e nem nunca encontramos nada com nossas antenas.
Esse enigma do silêncio no espaço se responde de duas formas:
Ou nenhuma outra civilização foi capaz de colonizar a galáxia, visto que bastaria apenas uma única raça com a nossa com capacidade para se espalhar rapidamente em escala geométrica pelas estrelas;
Ou se tal civilização alcançou a capacidade de viajar até as estrelas, esta percebeu que multiplicar-se como uma bactéria pelo cosmos destruindo tudo no caminho não é evoluir com espécie.
Supondo que coloquemos uma bactéria em um tubo de ensaio com proteínas. Ele começaria a se multiplicar em projeção geométrica. Primeiro ela se dividiria em duas. Essas duas se dividiriam em quatro. As quatro se dividiriam em dezesseis, 256, 65536...
Suponhamos que a taxa de crescimento das bactérias dentro do tubo de ensaio é de 1.17% por minuto. A cada uma hora, a população de bactérias dobra em número.
Suponhamos que a população de bactérias chegasse a capacidade máxima permitida dentro do tubo de ensaio em 24 horas. Nesse ponto todo o sistema entraria em colápso por falta de proteína no tubo. As bactérias então começariam a morrer e serem devoradas pelas sobreviventes na última luta pela sobrevivência.
Suponhamos que nesse instante limite de 24 horas eu resolva então dividir a solução de bactérias em outro tubo de ensaio idêntico novo em folha com a mesma quantidade de proteínas que o tubo inicial.
Quanto tempo levaria para que as bactérias chegassem novamente ao limite do ambiente onde se encontram?
Resposta: Apenas mais uma hora. Visto que a população de bactérias dobra em número nesse espaço de tempo, esta tomaria todo o outro tubo de assalto em apenas uma hora.
Pois bem...
Somos como as bactérias no tubo de ensaio. Nos multiplicamos em escala geométrica na casa de 1.3% ao ano. O que nos leva a dobrar em número a cada 53 anos (corrigindo minhas afirmativas no post anterior seremos 28 bilhões em cem anos). Como elas, também estamos confinados em um espaço finito com recursos limitados.
Então, acreditar que novas descobertas tecnológicas de último minuto podem salvar a humanidade chega a ser ingênuo.
O que vai acontecer é que a natureza irá seguir o seu curso. Quem não se adapta ao meio, esse em questão é finito diga-se de passagem, é extinto.
Sobre descobrir um novo planeta...
Eu diria que deve levar em torno de 500 a 1000 anos até que sejamos capazes colonizar um planeta. E mesmo assim sendo, não poderíamos transportar mais do que alguns andróides estéreis.
Imagine que o Sol é um grão de areia na ponta do seu dedo. O próximo grão de areia (estrela) se encontra a um kilômetro de distância do seu dedinho.
A luz demora oito minutos para chegar do Sol até a Terra.
Se você pudesse construir uma nave capaz de viajar a velocidade da luz, a velocidade máxima permitida no universo, você levaria apenas oito minutos para chegar até o Sol. Porém, você levaria nessa mesma nave um ano inteiro intermitantemente para chegar até a estrela mais próxima.
Leve em conta que a aceleração até tal velocidade deve ser gradual para que a tripulação não morra esmagado no interior da nave. Leve também em conta que a desaceleração na chegada precisa tomar o mesmo tempo.
Imagine que a gravidade da Terra é uma aceleração de 9.8 m/s^2. Sendo assim, uma nave carregando humanos levaria em torno de 1 ano para atingir confortavelmente a velocidade da luz, e mais um ano para desacelerar.
Só tem mais um detalhe, é fisicamente impossível que um objeto com massa alcance a velocidade da luz a menos que esse objeto produza energia infinita vinda do vácuo, visto que combustível também possue massa e precisa ser transportado.
A melhor solução até agora é uma nave impulsionada por uma Vela Solar. Propulsionada apenas pelos ventos solares, a nave teria uma fonte de energia gratuita podendo chegar a velociadade final perto de até 10% da velocidade da luz. A viagem nessa velocidade constante até a estrela mais próxima então passaria a 10 anos. Porém, temos o problema da aceleração novamente.
Não vou fazer os cálculos absurdos para mostrar a aceleração de uma nave espacial usando tal sistema. A massa da nave deve ser considerada e o ângulo da vela da mesma ao ser lançada em relação ao Sol. Porém devo dizer que a aceleração embora intermitente, deve estar na casa da arrancada de uma tartaruga manca. Levaria quase um século até que a tal nave alcançasse sua velocidade final. E não esqueça da desaceleração.
Não devemos esquecer que o próximo planeta habitável pode não estar na estrela mais próxima, mas sim a dezenas ou centenas de anos luz de distância.
Como poderíamos transportar toda essa gente?
E mais, se mesmo assim pudessemos fazer isso, levaria apenas um século ou dois para que esse novo planeta estivesse na mesma situação da Terra, lotado de gente.
Em resumo:
As próprias leis da física nos limitam ao nosso meio finito, a Terra. Ou aprendemos a viver em equilíbrio com o nosso ecossistema, ou seremos extintos.
A maior prova de que esse equilíbrio é totalmente necessario para se atingir o próximo passo é que nunca fomos contactados por outra inteligência espacial, e nem nunca encontramos nada com nossas antenas.
Esse enigma do silêncio no espaço se responde de duas formas:
Ou nenhuma outra civilização foi capaz de colonizar a galáxia, visto que bastaria apenas uma única raça com a nossa com capacidade para se espalhar rapidamente em escala geométrica pelas estrelas;
Ou se tal civilização alcançou a capacidade de viajar até as estrelas, esta percebeu que multiplicar-se como uma bactéria pelo cosmos destruindo tudo no caminho não é evoluir com espécie.

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