02-08-2015, 01:58 PM
(29-07-2015, 10:35 AM)John Escreveu: Como todo mercado saturado, realmente tem dessas coisas. Nos EUA, pelo o pouco que li a situacao do Law eh um pouco parecida, so nao sei como funciona os concursos publicos la. So que o Brasil eh o pais que mais forma bachareis em Direito no mundo, se eu nao me engano.
Concurso publico aqui depende muito de variaveis, se o candidato tiver suporte financeiro e emocional familiar, como voce falou, ja eh um grande avanco. Se vale a pena ainda ou nao fazer, acho que se uma pessoa tem um certo perfil, se ela tem disposicao pra se dedicar ao estudo, de alguma forma conseguira apos anos de dedicacao um bom emprego, contando um pouco com a sorte e o networking, como voce citou. Apesar de realmente o mercado de Direito estar em uma situacao complicado, quando comparado a outros mercados, parece ainda estar com uma certa vantagem. Talvez Engenharia, Medicina, ainda compensem mais. O resto nao esta tao diferente nao, talvez com menos pessoas, mas tambem com menos oportunidades.
Nos EUA, a advocacia, é uma das profissões da iniciativa privada mais reputada. Pois é considerada um dos berços da livre-iniciativa. Muito da jurisprudência norte-americana foi construído pelo exercício postulatório dos advogados, e uma parcela significativa da doutrina é movida pela influência de advogados famosos.
Concurso público lá não é rentável como aqui. Há coisa de uns 2 ou 3 anos, teve uma reportagem realizada em Nova York (derivada de um congresso de Direito) que narrava a indignação dos magistrados deste estado, quanto ao salário (convertido) dos juízes aqui no Brasil. Eles ganhavam em torno de 70% (contando os benefícios pagos) dos magistrados nacionais à época.
Tem uma série chamada Criminal Minds que retrata bem a visão do americano. Um personagem lá, concursado pelo FBI e que é um gênio, quando reencontra o pai (um advogado), este fala em tom de desprezo que se o filho tivesse buscado a advocacia, estaria rico, entretanto, optou pelo concurso público.
As grandes firmas internacionais de advocacia fogem do Brasil. Se fizer uma pesquisa, verá que praticamente não existem aqui. Eles trabalham com correspondentes locais. Conheço um camarada que trampou em um escritório grande em São Paulo, que representava os interesses de uma grande firma dos EUA, e este amigo me disse que este escritório americano fez um estudo do mercado nacional e ficaram abismados com a falta de competitividade e o quão saturado esta. Eles não conseguiram entender o porquê de não puderem concorrer nesta seara prestando um serviço de qualidade, com um preço acessível e compatível. Quanto mais a vedação de investir no marketing pessoal.
A situação da advocacia é surreal. O Estado se dispõe a regulamentar o setor (através do Estatuto Geral) para ver se estimula a competitividade. Posteriormente, você tem as seccionais que disciplinam até o preço dos honorários das ações e recursos a serem ajuizados. Ou seja, o Estado tenta disciplinar até o seu lucro. E se você tentar concorrer com os valores que o ente considera rentável, é infração. :Z=
É coisa de outro mundo, por um lado você tem a lei autorizando o envio de correspondência para clientes e correspondentes, informando seu novo endereço. E do outro lado, se oferecer um cartão de contato sem a pessoa pedir, é considerado infração.


![[+]](https://legadorealista.com/fdb/images/vienna//collapse_collapsed.png)

