05-02-2015, 09:42 PM
Minha adolescência foi relativamente tranquila, era bastante desligado de tudo, adorava jogar bola e acredito que não cheguei a passar horrores nas mãos das mulheres, porque desencanava muito fácil delas e de certo modo, meu lado mais “revoltado” me protegia, mandando tomar no cu (não no sentido literal) qualquer situação desagrável. Aos 13 anos já trabalhava, em uma escola de informática, ganhava zero reais (isto mesmo zero rs) em trocar fazia cursos de digitação e informática. Aos 17 trabalhava de pacoteiro em um supermercado de minha cidade, onde conheci minha namorada. Então com 18 anos um amigo me fala de uma tal “Universidade de São Paulo” – nunca tinha ouvido falar, e que era a melhor universidade do Brasil e era de graça. Como sempre gostei de desafios, tomei esta universidade como meta. (Sendo um pouco spoiler, tem um fenômeno na Economia que é chamado de Curva J, e isto acontece em diversas áreas. A curva J nada mais é do que o fato de que para subir, do ponto onde você se encontra, muitas vezes você deve se afundar ainda mais – por exemplo, quando estamos na Matrix e conhecemos a real – geralmente caímos na fase da revolta e ficamos, temporariamente, numa situação pior do que estávamos, mas depois a superamos e ficamos em um patamar superior ao inicial – esta é a curva J). Pois bem, eu iria passar pela minha curva J (É muito importante entender a filosofia da curva J e estar disposto a passar por ela).
Quando decidi estudar para a USP, estava fazendo curso técnico na minha cidade e estágio em São Paulo. Decidi me matricular num cursinho à noite, também em São Paulo, no período noturno, das 19:00-23:00, e minha rotina ficou bastante apertada, chegando em casa cerca de 2h da manhã para as 6h30 estar de pé novamente, lembro que dormi várias vezes em pé no trem rs). Chegava morto para o cursinho e dormia direto nas aulas. Fiquei o ano todo assim, e quando fui prestar a FUVEST, tomei ferro, não passando nem na primeira fase (nunca havia “estudado” de fato, só conhecia um pouco de português e matemática, pois são as únicas coisas que são (ou eram) ensinadas, ao menos um pouco, nas escolas públicas.)
Decidi então mudar de estratégia, pois esta não estava funcionando: entrar de cabeça na curva J (ainda que não compreendesse de fato o que estava fazendo, era mais um feeling do que deveria ser feito). Saí do trabalho e decidi focar somente nos estudos. No segundo ano, melhorei meu desempenho, passei na primeira fase mas tomei ferro na segunda. No final do deste segundo ano estudando, um fato difícil e de grande aprendizado ocorreu: fomos despejados novamente, e, nas pressas, arrumamos um cômodo para ficar, sem água e sem luz – onde ficamos 1 mês inteiro – valorizo minha namorada até hoje por isto, pois permaneceu ao meu lado, mesmo nessas situações – inclusive ela já morava com a gente e conosco permaneceu, mesmo na dificuldade.). Mas nem por isto eu deixei de estudar – paguei um cursinho de revisão com o resto das economias que tinha, e novamente iria para o cursinho a noite, chegava em casa as 2h da manhã e as 6h30 já estava de pé para poder estudar.
O segundo fracasso só me deu mais força e motivação para continuar, e no terceiro ano estudando, com muita força e motivação, consegui, finalmente ser aprovado em 2º lugar de toda a FEA-USP, eu, um cara de escola pública, sem estrutura, que saiu do Ensino Médio sem saber quase nada, que teve que enfrentar o período de estudos juntamente com um período conturbado financeiramente, que teve que ir para as provas vendo um monte de playboy sorrindo da vida leve e mansa que tinha, com camisetinhas escrita “sua dúvida é minha vaga”, e que de certa forma, passei por tudo isto sozinho, apesar de sempre ter recebido apoio de minha namorada e familiares, todo o tapa na cara era sentido por mim, e somente por mim. Ao passar, pensei “beleza, finalmente consegui, venci na vida!”.
Quando decidi estudar para a USP, estava fazendo curso técnico na minha cidade e estágio em São Paulo. Decidi me matricular num cursinho à noite, também em São Paulo, no período noturno, das 19:00-23:00, e minha rotina ficou bastante apertada, chegando em casa cerca de 2h da manhã para as 6h30 estar de pé novamente, lembro que dormi várias vezes em pé no trem rs). Chegava morto para o cursinho e dormia direto nas aulas. Fiquei o ano todo assim, e quando fui prestar a FUVEST, tomei ferro, não passando nem na primeira fase (nunca havia “estudado” de fato, só conhecia um pouco de português e matemática, pois são as únicas coisas que são (ou eram) ensinadas, ao menos um pouco, nas escolas públicas.)
Decidi então mudar de estratégia, pois esta não estava funcionando: entrar de cabeça na curva J (ainda que não compreendesse de fato o que estava fazendo, era mais um feeling do que deveria ser feito). Saí do trabalho e decidi focar somente nos estudos. No segundo ano, melhorei meu desempenho, passei na primeira fase mas tomei ferro na segunda. No final do deste segundo ano estudando, um fato difícil e de grande aprendizado ocorreu: fomos despejados novamente, e, nas pressas, arrumamos um cômodo para ficar, sem água e sem luz – onde ficamos 1 mês inteiro – valorizo minha namorada até hoje por isto, pois permaneceu ao meu lado, mesmo nessas situações – inclusive ela já morava com a gente e conosco permaneceu, mesmo na dificuldade.). Mas nem por isto eu deixei de estudar – paguei um cursinho de revisão com o resto das economias que tinha, e novamente iria para o cursinho a noite, chegava em casa as 2h da manhã e as 6h30 já estava de pé para poder estudar.
O segundo fracasso só me deu mais força e motivação para continuar, e no terceiro ano estudando, com muita força e motivação, consegui, finalmente ser aprovado em 2º lugar de toda a FEA-USP, eu, um cara de escola pública, sem estrutura, que saiu do Ensino Médio sem saber quase nada, que teve que enfrentar o período de estudos juntamente com um período conturbado financeiramente, que teve que ir para as provas vendo um monte de playboy sorrindo da vida leve e mansa que tinha, com camisetinhas escrita “sua dúvida é minha vaga”, e que de certa forma, passei por tudo isto sozinho, apesar de sempre ter recebido apoio de minha namorada e familiares, todo o tapa na cara era sentido por mim, e somente por mim. Ao passar, pensei “beleza, finalmente consegui, venci na vida!”.

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