29-10-2016, 07:47 PM
Farol da ânsia Ígnea - José Altran (Filosofia UFPR)
Nossa vida, no fundo, não é feita de escolhas. Nós não temos escolhas senão o quanto adiaremos pra enfrentar a dureza que é seguir nosso único caminho, ou que longos contornos trilharemos até ele. Estamos destinados a só um lugar dentro de nós, e não precisamos nos sentir oprimidos porque no fundo é justamente lá que nosso interior sempre ansiará chegar.
É preciso muitas vidas, talvez eras, para entender que os rumos que tomamos foram determinados pelo que invariavelmente somos e não pelo nosso arbítrio. Hoje tive desses sonhos que te fazem lembrar dessas coisas. De sentimentos atravancados, de belezas que poderiam ter sido. De momentos onde se perde o Norte achando que ele foi encontrado. De tua humanidade querendo te convencer que o chamado que é a ilusão, a mente querendo inverter a legitimidade pra enfim poder se atocar e respirar rendido pela anestesia, se tornando voluntariamente ignorante pra conseguir ignorar que é na alma que deves tirar a prova.
É claro que minha consciência por vezes se perde dessa certeza e sofre por ter sofrido. Mas a verdade é que estou muito orgulhoso da coragem que tive nessa caminhada e, principalmente, agradecido pelas circunstâncias, ou talvez pelos seres que disso horas trajo, que no fundo só me guiaram ao rumo certo sabiamente munidos de chibatas. A verdade muito comumente se conquista pela dor e não pelo amor, mas atentemos, esta dor está contornada pelo próprio ainda mais que este pelos seus enfeites que, a bem dizer, sempre me enojaram.
Ter esse nojo é uma dádiva, um presente divino que, vistos os tropeços de minha força, não mereço. A ânsia ígnea que me atormenta por toda a vida e contra a qual muito praguejo por sonhar com um lar final nada mais é que um farol ofuscando esta vista medrosa que muitas vezes se recusa a ver. Mariposas nele se debatem cíclicas. E ele é sagrado, pois embora destrua o meu corpo e mente nunca me deixa só, é a única coisa que não nos abandona: talvez seja ele em si o último lar, aqui desde o início, uma constelação mais perene que minha própria história.
A nobreza de espírito se dá por essa fidelidade arredia. Não ter controle sobre o que você é simplesmente é, ironicamente, a prova de que só você tem as rédeas sobre seu caminho. A vilania e a covardia são simplesmente províncias de gente fraca que engatinha, às quais tenho com desdém embora saiba que para crescer devo converter esse desprezo em carinho.
O ímpeto há de ser heróico, mítico, e enquanto a incapacidade de abandonar esse espírito de criança soe teimosia, ele é o verdadeiro passo que sucede a maturidade. Sempre achei esse nosso mundo muito pequeno. Tóxico, bastardo, ínfimo. Sonho com um velho novo. Ao mesmo tempo que tenho muito orgulho em não ter trocado a provação pela tentação, mérito algum eu tenho, já que se eu tivesse tido escolha talvez trocaria.
Hoje sei, mesmo que por segundos, o que é ser feliz. E consciente de minha infimez, agradeço por toda minha existência a luz que foi concedida para sempre me guiar nessa persistente escuridão.
Nossa vida, no fundo, não é feita de escolhas. Nós não temos escolhas senão o quanto adiaremos pra enfrentar a dureza que é seguir nosso único caminho, ou que longos contornos trilharemos até ele. Estamos destinados a só um lugar dentro de nós, e não precisamos nos sentir oprimidos porque no fundo é justamente lá que nosso interior sempre ansiará chegar.
É preciso muitas vidas, talvez eras, para entender que os rumos que tomamos foram determinados pelo que invariavelmente somos e não pelo nosso arbítrio. Hoje tive desses sonhos que te fazem lembrar dessas coisas. De sentimentos atravancados, de belezas que poderiam ter sido. De momentos onde se perde o Norte achando que ele foi encontrado. De tua humanidade querendo te convencer que o chamado que é a ilusão, a mente querendo inverter a legitimidade pra enfim poder se atocar e respirar rendido pela anestesia, se tornando voluntariamente ignorante pra conseguir ignorar que é na alma que deves tirar a prova.
É claro que minha consciência por vezes se perde dessa certeza e sofre por ter sofrido. Mas a verdade é que estou muito orgulhoso da coragem que tive nessa caminhada e, principalmente, agradecido pelas circunstâncias, ou talvez pelos seres que disso horas trajo, que no fundo só me guiaram ao rumo certo sabiamente munidos de chibatas. A verdade muito comumente se conquista pela dor e não pelo amor, mas atentemos, esta dor está contornada pelo próprio ainda mais que este pelos seus enfeites que, a bem dizer, sempre me enojaram.
Ter esse nojo é uma dádiva, um presente divino que, vistos os tropeços de minha força, não mereço. A ânsia ígnea que me atormenta por toda a vida e contra a qual muito praguejo por sonhar com um lar final nada mais é que um farol ofuscando esta vista medrosa que muitas vezes se recusa a ver. Mariposas nele se debatem cíclicas. E ele é sagrado, pois embora destrua o meu corpo e mente nunca me deixa só, é a única coisa que não nos abandona: talvez seja ele em si o último lar, aqui desde o início, uma constelação mais perene que minha própria história.
A nobreza de espírito se dá por essa fidelidade arredia. Não ter controle sobre o que você é simplesmente é, ironicamente, a prova de que só você tem as rédeas sobre seu caminho. A vilania e a covardia são simplesmente províncias de gente fraca que engatinha, às quais tenho com desdém embora saiba que para crescer devo converter esse desprezo em carinho.
O ímpeto há de ser heróico, mítico, e enquanto a incapacidade de abandonar esse espírito de criança soe teimosia, ele é o verdadeiro passo que sucede a maturidade. Sempre achei esse nosso mundo muito pequeno. Tóxico, bastardo, ínfimo. Sonho com um velho novo. Ao mesmo tempo que tenho muito orgulho em não ter trocado a provação pela tentação, mérito algum eu tenho, já que se eu tivesse tido escolha talvez trocaria.
Hoje sei, mesmo que por segundos, o que é ser feliz. E consciente de minha infimez, agradeço por toda minha existência a luz que foi concedida para sempre me guiar nessa persistente escuridão.

![[+]](https://legadorealista.com/fdb/images/vienna//collapse_collapsed.png)

